Esteriliza que está de boa

6.11.18


Quando um problema não está em nossa órbita umbilical, tende a se resumir em parcas e porcas palavras frutos de uma mente no mínimo egoísta.

Valorizar a vida tem a conotação que cada pessoa deseja dar à esta experiência. Dependendo do que se acredita ou não, isto traz variados contornos impossíveis de enumerá-los, dado a complexidade da - e porque não dizer contraditória - condição humana.

Em um ponto de ônibus de uma grande cidade, surge um diálogo superficial por conta da demora em chegar o transporte. No bate-papo sobre a então greve dos motoristas e cobradores prestes a se instalar, juntou-se um pouco de política ou melhor seria dizer, apenas repetição daquele nada diário do senso comum. O papo fica cada vez mais chato, pois um lado acha que nada mudará, já que o povo - mas só o "povão" - não se politiza.

Nesta altura dos acontecimentos, um lado prefere apenas escutar, enquanto o "ser consciente" destila incríveis considerações sobre os problemas que precisa enfrentar - só conhecido o atraso daquele ônibus - por conta da escolha dos ignorantes.

Conversa vazia atraindo considerações sectárias foram tomando forma e se viram no meio do assunto superpopulação e a enorme marginália de drogados não pensantes e que segundo a genialidade do sangue azul raivoso, deveriam passar por uma esterilização. Todos estes desvalidos. Impedindo assim que mais inúteis surjam no mundo.

Ao tentar visualizar humanidade na vacilante sociedade moderna - aquela que ao menos deveria ser mais igualitária e justa - alguns pensamentos demonstram ser impressionantes excrescências da bestialidade, fantasiadas de almas boas. Sim, almas queridas, sorridentes e simpáticas para aqueles que corroboram com suas formas débeis e covardes no acionamento de vibrações de baixa qualidade moral.

Quais sentimento carregam os que acreditam ter em seus domínios a decisão sobre quem deve ou não trazer vida ao pequeno e hostil ambiente terráqueo? O que os levam a acreditar não pertencerem ao universo marginalizado por um sistema falido? Que falsa sensação é está que parece estar encalacrada em seu íntimo doentio, que fazem desejar uma solução asquerosa para aquilo que sua preguiçosa mente considera oportuna para uma sociedade mais "limpa e prazerosa"?

Tentou considerar posteriormente que inclusive ela não deveria ter filhos, mas não cogitou aplicar a bendita esterilização em si mesmo, talvez por acreditar ser uma pessoa ciente que não devas se reproduzir, tal sua total incapacidade de sentir. É a conclusão que chegou ao inquieto ouvidor daqueles ruídos insanos.

Passados alguns minutos o ônibus chega. Restou a atitude silenciosa deixando-a falando sozinha. Entretanto incomodado ficou. Pois se sentindo parte de um organismo que considera a existência para uns e a invisibilidade para outros sem o menor constrangimento, percebe a cumplicidade presente.

O desenho de um progresso verdadeiro não começará sem antes haver depuração dos valores íntimos em nós, seres humanos. A vida é sala de aula onde todos não passam de coadjuvantes quando se consideram protagonistas. O contrário se dá na poderosa ação de repelir o individualismo egoísta e valorizar gestos de inclusão e avanço, principalmente onde os ensinamentos de amor menos se fazem presente aos nossos imperfeitos sentidos.

Quem marginaliza, pode estar sendo marginalizado

Prudência é o mínimo que se deve ter, sob o risco de caso não façamos esta observação, vir a marginalizar pessoas sem dar-se conta do quanto iguais somos.

Muitos cidadãos presos ao senso comum, praticam discursos com constantes ameaças contra aqueles que atrapalham suas vidas confortáveis, não menos medíocres.

É bom prestarmos atenção. Enquanto acreditamos estar em situação favorável, alguém ou algo pode mostrar que nada do que acreditávamos é verdadeiro e tudo não passou de ilusão.

Quebre essa corrente e busque viver a realidade além dos gritos interesseiros.

Viva em paz e numa liberdade real.






Divulgação

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