Teu recanto. Tua presença.

28.1.17


Quem nunca ao caminhar por uma rua qualquer, um parque ou mesmo encaixotado dentro de um shopping, foi atraído por uma leve presença em algum recanto, que num convite despretensioso solicitou sua companhia?

Os frenéticos e carrancudos dias onde a adoração do “Deus Ter” em união com uma famigerada e ilusória corrida meritocrática, quase deixam sem utilidade alguma os espaços mais singelos das cidades, incluindo-se aí das grandes às pequenas, já que está se perdendo o linear para suas diferenças. Mesmo assim eles sobrevivem e fazem convites. Leves, calmos e amigos. Quem nunca fez para si um cantinho durante alguns instantes?

Acordar e perceber o canto descompensado de um simples passarinho não faz a mínima diferença para quem já assustado está com os contundentes chamados do despertador, lembrando-o de carregar o peso da insensibilidade mundana por mais um dia. Mas talvez esteja na hora de um esforço maior no sentido contrário, que seja forte o suficiente para alinhar-se com a frequência do frágil ser alado. As vibrações quase imperceptíveis da ave trazem uma energia extra completamente ignorada pela maioria. Tentar não custa nada. Fiquem tranquilos.

É capaz que ao permitir este avanço, encontre até mesmo em sua casa um novo ângulo antes inexplorado. Pasme! Visualizado foi aquele mesmo cantinho feito para você amar-se. Nos trajetos sejam eles até o trabalho ou para outras atividades corriqueiras, mas não menos metódicas, também há a possibilidade de não termos escutado os amáveis convites. Porra de rotina! Mas o tempo é agora. Ligue a seta, estique o braço pra lá ou pra cá indicando que irá sair da linha. O tempo não deixará de ser apenas o que é por conta disso. Uma medição planetária.

Trabalhe o universo instalado em você. Sente-se. Olhe para o tudo que está na sua frente. Este tudo pode ser chocante num primeiro momento, dependendo do quanto conhecemos de nós e do mundo retratado por aquele recanto novo inaugurado por ti. Mas não vacile. Felicite a oportunidade criada e sinta.

Ponto A descoberto, caminhe mais um pouco e encontre um ponto B. Insista por mais alguns passos e vai avistar um novo lugar. Sim novo. Acontece que não tinha se dado conta de quantas vezes havia passado por lá, estando ocupado com sabe se lá o quê. Estava desatento para perceber que há uma história neste lugar. E caso não seja exatamente dentro do que busca ou aprecia, com certeza o é para uma pessoa em alguma outra frequência. Mas não deixa de ser um rico aprendizado sobre outras considerações. Isto também é crescer para o infinito.


Crianças tem esta "mania" de fazer agigantar os espaços. As recordações trazem-me imagens de brincadeiras em vales que pareciam enormes, onde a sensação de viver intensamente o ar era apanágio suficientemente forte para ser feliz. Hoje passando pelos mesmos lugares, encontro tão somente alguns metros quadrados supervalorizados em moeda corrente, publicado num livro qualquer de imobiliária. Mas ainda arrancam sorrisos ao meu coração e desprezo pelo valor indicado. Um ultraje.

Antes de voltar para casa após suas atividades diárias, tire uns instantes para você. Naquele café por qual passa todos os dias. Aprecie sua companhia. Não há nada de egoísmo nisso. Já foi dito em outras oportunidades que o vocabulário humano é pequeno para retratar tudo em todos os momentos. É aí que entra o vento, a terra e outros elementos para conduzir a conversa. Vai perceber que na vida você é seu templo. O teu recanto é tua presença quando se está em paz.

Dicas para perceber aquele recanto em sua alma

Desacelerar. Ao menos tentar.

Pare de postergar aquela visita ao parque que você sempre passou em frente. Pois tudo passa.

Se puder, auxilie o maior número de pessoas possível, em todos os recantos. Materiais e espirituais.


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