Quando um ombro pode ser o sol

20.10.16


Alguma dificuldade para se admitir o desejo desta presença, em uma psicosfera carregada com pensamentos de vitoriosas ilusões? Pode ser apenas questão de encaixar uma palavra. Um olhar. Um passeio ao sol. Um gesto de verdadeiro desapego, a ponto de ultrapassar qualquer campo de defesa, e fazer lembrar que a paz se constrói de dentro para fora, inclusive fora das redes sociais.

Presencia-se tempos de frases bonitas e imagens com requintes de Instagram nas famosas linhas do tempo. Seria uma forma astuta, oportunista, ou apenas uma demonstração inconsciente, para se ter uma bela remodelagem de um "Eu" com problemas para sentir-se adequado socialmente em um certo núcleo rochoso? Bolinha perdida em um sistema de quinta grandeza, diga-se de passagem.

A cada ano surgem incríveis amontoados de ferramentas para um clique a mais. Desafiando a paciência dos mais exigentes, porém, curiosos "antenados" e alimentando a efervescência dos dedos em descontrole, quando não se tem mais nada a fazer. Aliás, uma alteração. Quando não se encontra mais nada a fazer. Pois há sim.

Quando não se consegue mais tirar o nariz da tela touch screen já mais engordurada que o filtro do depurador instalado na cozinha, o mundo tende a ficar um pouco - pegando leve - menos saudável. E antes que pensem ser alguma crítica nonsense sobre a inevitável inserção da comunicação digital na sociedade, percebe-se com certa facilidade um congelamento nas relações, daquelas através do tato e das conversas sem intermediações de frequências ABC ou G.

"O auto-aprimoramento será sempre espontâneo." André Luiz

O vocabulário humano limitado que já é, sendo enjaulado por verdadeiras cápsulas codificadas em criptografias e cada vez mais individualizadas, criando vias indiferentes a tudo o que foge deste cenário criado por cada usuário. Leia-se o famigerado perfil. Estranho, mas o que seria para amplificar a determinação por uma união de ideias, por vezes parece mais uma corrida armamentista de insensibilidade e ignorância.

Disto, verifica-se estúpidas discussões entre desconhecidos que acreditam carregar a maior verdade. Aquela da qual estampam de sua. Mal dão-se conta que são monitorados por robôs até mais espertos, que vão varrendo toda esta parafernália deixada para trás no próximo F5 dos teclados independentes. São os famintos e dedicados "espiões dos interesses sociais digitais".

Enquanto corre toda esta barulheira incessante, existem olhares perdidos com uma xícara de café a fazer companhia. Acompanhando links desenfreados de todos os tipos, entre frases de ânimo e curiosidades. É uma atmosfera fria que corre a cada segundo quando não se está em paz.

E estas poucas palavras é para lembrar que todos merecem um curtir de verdade. A ansiedade que deixamos transparecer em nossas investidas pela rede é apenas uma demonstração que estamos vivos. Talvez em desalinho, sentindo-nos atrapalhados, mas ativos. Mais do que qualquer um pode imaginar.

Um ombro pode ser o sol para muitos. Desligar para reconectar com o mundo. A paz se instala de dentro para fora e isto refletirá em tudo. Até na forma de encarar um texto despretensioso.


Auto-aprimoramento

A frase citada acima - do Espírito André Luiz - foi para uma breve reflexão. A decisão de como, quando e onde devemos utilizar nossa capacidade para nos aprimorarmos com as experiências, é questão íntima.

É necessário cada vez mais colocar em prática o exercício da sensibilidade, e repelir qualquer imposição de opinião ou ideias, principalmente aquelas que não prezam pelo respeito.

Não pode haver espaço para intolerância infantil, em uma guerra ideológica promovida na internet.

Se esta atmosfera ficar pesada demais, considere desconectar da ferramenta tecnológica, silenciar e abrir os braços ao cosmo.

Agradecer pelas inúmeras oportunidades que estão ao nosso lado.

Universos infinitos esperando igualmente, interação.

Paz.

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