A luz que cada janela há de ter

28.10.16


De uma sacada ampla com blindex, ao quadrilátero simples para passagem do ar e sol, sonhos e o desejo comum de um passo à frente.

Quando estou no escritório onde trabalho, observo da janela a quantidade de edifícios imponentes pelas suas formas e tamanhos, circundando toda uma área e também algumas casas com linhas modernas - ao menos penso serem modernas. Um traço reto aqui e outro ali ao meu ver já denota minimalidade e sei lá de onde tirei isso, modernidade. Dou risada da minha ignorância artística e técnica. Mas grato por ter sensações.

Área considerada nobre da cidade. Região de janelas amplas com sacadas pouco visitadas. Aproximadamente a cada cem metros, equipamentos combinando luzes e sons chamam a atenção dos pedestres. É preciso cuidado com as saídas dos carros e seus vidros fechados, geralmente com a segurança frágil do insulfilme. Na verdade, não sei se essa lâmina escura é para proteger-se do exterior superestimado ou do interior subestimado, por almas que insistem em não querer voar. Que pena. O mundo precisa de mais brilho nos olhos.

Chegado então o final de mais um dia de trabalho. É hora do retorno para casa e no caminho, as janelas vão ganhando uma coloração típica aos olhos de quem as observa de longe. Algo como constelações urbanas no meio de sons que parecem saber desenhar cada quadro mentalizado. A tal música urbana.

O som é um elemento importante na medida que mais progresso se obtêm na arte de visualizar.

Continuando o trajeto e a verticalização vai cedendo cada vez mais, possibilitando avistar outras moradas e suas janelas diferentes, mas nem tanto.

Chego em casa e acendo a luz.

O silêncio presente no momento inicial quando entrei em meu círculo de repouso, permitiu reconhecer um outro som.

O das batidas do meu coração.

Não foi só mais um dia. Foi mais uma aula. Mais uma amorosa conversa do universo comigo.

Lembrei de cada janela. Tão diferentes e tão iguais. Conhecidas e desconhecidas por todo o globo. Cada qual com sua íntima história.

Me alegrei ao vislumbrar a luz que cada janela há de ter.


Exercício de empatia

Peça licença ao entrar em cada lar e sinta.

Fazendo isso, estamos exercitando algo em falta nos dias atuais. A condição de nos posicionarmos na condição do outro.

Sentir de modo mais correto as aflições, dificuldades e desafios neste teatro da vida, onde somos crianças espirituais buscando aprimoramento.

Paz.


Você poderá gostar também

0 comentários

Comunidade no Facebook

Unalome no Google Plus